quarta-feira, 3 de novembro de 2010

da série poetadas

Ela 


Mulher, quem vai te descobrir
Quem é aquele que vai vencer os obstáculos 
E ascender como herói 
Teus portões sagrados?
Mulher, quem vai adentrar pelos salões dourados 
Contemplar seus baixo-relevos secretos e desvendar seus enigmas?
A alma feminina, universo insondável de emoção e sentidos
Cidade forte cheia de insinuosas vielas obscuras;
Cada canto esconde um encanto 
Um olhar e mil segredos
Próprios daquela que ao se abrir e se entregar 
Não permite ao vencedor a certeza da vitória
A mim como homem que sou perdido em minha obviedade 
Cabe apenas a fé na existência
Assim prossigo em insistente devoção 
Sou devoto dos olhares
Do balanço, dos sorrisos 
Da voz melodiosa que suave e quente me envolve
Sou escravo da maciez de tua pele
Da doçura de seu toque
Que por diversos já foi cantado 
Nestes pretenciosos arranjos eu repito explicitamente 
Um canto de louvor a beleza em forma pura
Ao divino na humanidade que guarda e alimenta 
Perpetua nossa presença
Dando sentido a permanência 

sábado, 18 de setembro de 2010

Zeus perde pra Eros

Essa postagem é antiga, mas vale a pena lembrar quem é o deus mais poderoso.

Roy Sullivan: Atingido por raios 7 vezes

O guarda florestal Roy Sullivan, entrou para o livro dos Recordes após ser atingido sete vezes por raios em seus 36 anos de carreira.
O primeiro ataque relâmpago, aconteceu em 1942. Sullivan foi atingido na perna e perdeu unha. Em 1977 aconteceu o seu último ataque, deixando-o com queimaduras no peito e estômago. Roy Sullivan morreu em 28 de setembro de 1983 com 71 anos de idade, a causa do óbito, suicídio devido a um amor não correspondido.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Um pensamento intrigante

Quem escreveu a frase:" Perguntar não ofende." Devia ser um jornalista, bem cínico..

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Essências reclusas

A velha necessidade de se mostrar cresce cada dia. Eu mesmo sou um exibido nato. Há em mim uma vontade absurda de impor fortemente minha presença. Acho que isto tem a ver com uma certa falta de confiança em si mesmo. Gente assim enche páginas de blogs, que quase ninguém lê, numa tentativa desesperada de marcar seu lugar ao sol. Isto é tão forte que implica até em atos inconsequentes e com um certo grau de desleixo. Como por exemplo, não revisar um texto antes de publicá-lo. É provavelmente o que acontecerá com este aqui.

Na contra mão desse movimento egocentrado há aquelas pessoas diferentes. Aquelas que não fazem questão de gritar aos quatro ventos suas impressões. Eu admiro pessoas assim. Elas não obrigam ninguém a notá-las. Elas ficam ali no seu canto, vivendo sua vida e produzindo muita beleza. Entre essas pessoas estão duas amigas minhas. Até parece o texto de um cronista que escreve no Globo cujo o nome eu esqueci. Mas voltando as minhas amigas vou lançar um pouco de luz sobre os refúgios aconchegantes de onde elas contemplam a vida e discretamente marcam suas presenças sem escândalos.

Uma delas escreve memórias de sua própria história. Não para buscar o estrelato ou ficar rica. Minha amiga até pensa em publicar suas reminiscências mas apenas no estreito circulo de sua intimidade. Sua grande aliada é a tecnologia que permite a edição de poucas cópias dessas memórias que devem ser deliciosas e inspiradoras. Só pra dar inveja a quem não a conhece: a menina nasceu numa família muito pobre do nordeste, numa família de muitos irmãos e foi criada apenas pela mãe. Hoje do seu apartamento classe média na Zona Sul do Rio de Janeiro ela comemora a vida, enquanto cuida do seu gato temperamental. Com um pouco de sorte eu terei acesso a essas histórias maravilhosas. Bom pelo menos eu espero.

A outra amiga discreta que também faz parte desse time de reclusos adora escrever. Depois de muito jogo de cintura eu finalmente consegui convencê-la a me mostrar seu texto. Foi uma experiência ótima. Seu estilo é pulsante, mágico, com uma sensualidade inebriante e bastante provocativa. Ninguém lê aqueles textos e fica impune. Nestes tempos de redes sociais e diários virtuais onde pessoas talentosas ou não disputam espaços digitais minha amiga é exceção. Seu texto é secreto, guardado em grande parte nas páginas manuscritas de seu caderno. Não há nenhuma linha virtual sobre sua saga de amor e ódio. Não sei se é por falta de confiança em si ou nos outros. Prefiro acreditar que ela não tem pressa em se fazer notar. Ela sabe que sua história tem um momento certo pra sari do forno. Se por um acaso seu bolo sair do forno antes do tempo corre o risco de desandar. Admiro essa paciência.

Essas duas mulheres trazem em si a essência e paciência de quem sabe valorizar cada semana de uma gestação.



Mais em www.sonataphb.blogspot.com

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Reflexões

Em meio a alguns pensamentos reflexivos fui caminhando na direção eterna dos porquês. Esse negócio de racionalizar tudo ainda vai me deixar doido. Mas, eu sou assim. Eu preciso entender o processo, praticá-lo, internalizá-lo, pra assim e somente assim, dizer que realmente eu sei do que estou falando.  É justamente no meio desse processo que uma frase veio a mim. Eu estava pensando no que poderia ser essa coisa metafísica tão desejada, mas tão pouco conhecida: o amor.  Esse sentimento que rende novelas, músicas, poesias, líquidos e assassinatos.  O que é esse amor? Que deus é esse que movimenta milhões de bytes ao redor da net? Todo mundo se acha habilitado pra falar de amor. Todo mundo acredita que participa dele de algum modo. Falam de amor passageiro, de amor falso, de amor próprio. Falam tanto de amor que há quem diga que existe um amor verdadeiro. Tem gente que ama o próximo e tem gente que não ama ninguém.
Um bom autor psicanalista - sempre eles - afirma que o amor é uma vontade de se reintegrar ao mundo. Pra ele nós nascemos separados e solitários. Essa constatação é assustadora.  Uma vez descoberta nossa solidão nossa única chance de escapar dessa condenação é ele, o remédio pra todos os males, o amor.  Não lembro agora se o escritor chama o amor de sentimento ou de verbo.  Pra falar a verdade isso pouco importa pra mim.  Eu gosto da linha que ele toma. O seu raciocínio é claro e transforma o amor em coisa maior que sexo, maior que paixão, maior que ternura. Ele flerta com o religioso e transforma o amor em ação traduzido em caridade. Eu particularmente acredito que  nossas convicções valem muito pouco diante do histórico de nossas ações.  Pra mim nós não somos feitos de pensamentos. Somos a nossa história e, consequentemente, somos o fruto de nossas próprias ações. A partir dai minha reflexão sobre o amor tomou o único rumo possível. Se eu só posso ser quem sou pelo que já fiz, então meu amor só pode ser traduzido na concretude do dia-a-dia. Meu amor é mandamento que se realiza na negação de meu desejo.
Não me peçam explicação sobre isso tudo. Eu não sei. Se soubesse isso seria poesia.  Meu amor não está em mim, está nos meus gestos. Meu amor não está na paixão, nem no desejo. Ele está em silêncio movendo minha consciência a tomar decisões que não sei se quero. Ele na busca de um sorriso alheio, de um encontro maior. No caminho certo, num descanso dominical. Na insignificância de minha invisibilidade meu amor se satisfaz ao não me preencher. Pra que eu possa continuar a não-ser enquanto vivo. Pra vida continuar a existir ao meu redor.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Desassalto

A cena a seguir parece piada, mas, salvo umas pequenas licenças poéticas, ela ocorreu na íntegra.


_ Rapaz, não fala nada e segue sem reclamar. É um assalto.
_ Assalto?!?! Que isso sou trabalhador. Dá uma aliviada.
_ Que nada, anda logo que eu não estou brincado. Tem dinheiro?
_ Não.
_ Tu é um duro mesmo. Relógio?
_ Não.
_ Celular? Isso todo mundo tem. Afinal celular e celulite... você já sabe, né?
_ Toma ai, leva.
_ Hum? Não sei não. Esse treco filma?
_ Não.
_ Tira foto?
_ Não.
_ Tem internet?
_ Não.
_ Ah, pelo menos tem uma musiquinha pra tocar, né?
_ Não.
_ O que esta porcaria faz?
_ Celular é pra receber e fazer ligação.
_ Só isso? Num quero isso não. Toma.
_ Obrigado.
O cidadão já estava indo embora aliviado quando o ladrão lhe perguntou:
_ Quer um trocado pra passagem?

domingo, 18 de julho de 2010

Eleições

Lá vem as eleições e já se levanta o circo do mau-gosto. Fico pensando nessa farsa da nossa democracia, não só a nossa, a democracia liberal há muito que se prostituiu com o grande capital.  Falando assim parece que eu sou um marxista revolucionário, esse também não é o caso. Mas me irritam esses discursos de liberdade democrática quando o que se observa mesmo é a vitória de quem tem mais.  Nas eleições principais então, todos os cargos majoritários tem apoio direto dos principais setores das oligarquias financeiras.  Não adianta querer mudanças estruturais, sempre as mesmas caras irão aparecer. Os representantes das milícias, dos bicheiros, dos banqueiros e todos os setores produtivos da sociedade permanecem alterando-se na dança das cadeiras.  O jogo democrático segue seu esquema de permanências das mesmas coisas. Não adianta. Ninguém vai me convencer do contrário.  Não acredito nessa democracia.  Também não acredito em ditaduras. Pra falar a verdade ando meio desacreditado com os gestores do poder. Sempre bati palmas pra nossas elites, elas são as melhores do mundo. Conseguem manter sob sua tutela milhares de despossuídos  dosando bem a dose amarga da força bruta. Tudo bem que as vezes transborda num Carandiru, ou num El-dorado dos Carajás, ou numa incursão do pacificador com cara de morte da PM carioca.  Fora essas pequenas gafes as elites permanecem no seu lugar e, para desespero da classe média, os pobres estão cada vez mais perto.  Enquanto isso nossa mídia achincalha aqueles idiotas que se colocam na vitrine pública da política, sabendo que o centro de decisões está sempre na esfera privada dos CEOs. Aliás, CEOs é uma palavra bonita, para além de seu significado feio, chief executive oficcer, a palavra me lembra o teto cravejado de estrelas que insiste em permanecer calado diante de nossas mazelas.  No meio dessas mazelas ficamos aqui sonhando em liberdade quando o que temos realmente é espaço vigiado e totalmente controlado por câmeras de segurança e pelo famigerado Google street view. Mas, silêncio vai começar o horário eleitoral e se você gosta de colecionar frustração ou falácias basta apertar o rec.